Cineclube Glauber Rocha
O Cineclube Glauber Rocha tem como objetivo principal assegurar ao cinema – e às salas de exibição – o seu espaço tradicional e histórico de manifestação e convivência social, diversidade, descoberta, fruição cultural e exercício da cidadania. E, ainda, resgatar e manter viva a experiência coletiva de ver filmes, ressaltando a importância da memória, preservação e do diálogo com os arquivos públicos, cinematecas e instituições audiovisuais e artísticas.
A iniciativa, que surgiu em 2014 no contexto da dinamização e retomada do centenário Cine Guarani – rebatizado Glauber Rocha nos anos 1980 – foi interrompida no ano seguinte por falta de apoio do poder público. Mesmo sem patrocínio, o Cineclube, desde maio de 2023, voltou a exibir clássicos do cinema nacional e mundial mediante parcerias com organismos internacionais e colaboração de empresas produtoras e realizadores locais e brasileiros.
O Cineclube Glauber Rocha possui parceria firmada com o Cine Glauber Rocha, uma das salas mais bem equipadas e um dos poucos cinemas de rua em funcionamento no país. É importante destacar que foi justamente neste cinema que o célebre Clube de Cinema da Bahia foi fundado por Walter da Silveira e Carlos Coqueijo da Costa, em 1950. Durante anos, o lugar foi fundamental na formação de cineastas como o próprio Glauber Rocha, a quem prestamos homenagem. Orlando Senna, Roberto Pires e Oscar Santana são outras figuras de relevo da cultura baiana que tiveram forte ligação com aquele Cineclube. Caetano Veloso, em seu livro “Verdade Tropical”, atribui grande importância ao então Clube de Cinema na sua formação intelectual.
Outro dado significativo diz respeito à consciência e mobilização em prol da conservação dos chamados “cinemas de rua” (salas de exibição) e sua reconhecida importância e contribuição para a maior circulação de pessoas e, por consequência, da revitalização, especialmente de áreas degradadas ou fragilizadas pelas contingências de segurança pública e mobilidade. Assim, a realização de atividades formativas por meio do Cineclube no centro da cidade agrega um valor simbólico do gesto de resistência e de sensibilização.
A curadoria é de responsabilidade de Adolfo Gomes e Marília Hughes. Adolfo é crítico de cinema, um dos mais renomados do estado da Bahia. Marília é cineasta reconhecida através de seus curtas e longas e, também, produtora e curadora do Panorama Internacional Coisa de Cinema, um dos mais importantes festivais de cinema do país.
Em cada sessão, há apresentação antes dos filmes, além de debate após a exibição. Diversos são os colaboradores, além dos curadores, que tem mediado nossos encontros, a quem agradecemos. Rafael Carvalho, Carlos Roberto, Feliphe Alencar, Rafael Saraiva, João Paulo Barreto, Sylvia Mercês, Ceci Alves, Morgana Gama, Jusciele Oliveira são parceiros que passaram pelo Cineclube. Por fim, cabe salientar que o Cine Glauber Rocha é um dos poucos cinemas do País a manter um projetor 35mm em funcionamento, garantindo a possibilidade de exibição tanto do digital, com a melhor e mais moderna qualidade técnica (formato DCP), quanto do analógico (película).



