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Panorama 2016: Os muitos Panoramas possíveis

Em 2016, recebemos cerca de mil e duzentos filmes de todo o mundo sabendo que selecionaríamos, no máximo, 130 curtas e longas. Com esse número de inscritos, tínhamos muitos Panoramas a nossa disposição. Aqui, algumas poucas linhas sobre as nossa escolhas.

Em primeiro lugar, demos prioridade aos filmes brasileiros, pois o ciclo que nós experimentamos hoje está em aspiral ascendente. Os filmes e autores brasileiros se espalham cada vez mais. Temos produções diversas e que ocupam os espaços existentes, dentro e fora do país. A necessidade de realizar é imensa! Torcemos muito para que esse ciclo virtuoso não se encerre. Que continue sendo alimentado até que encontre, mesmo que parcialmente, a auto-sustentação.

Depois, e para a nossa surpresa, recebemos mais e cada vez melhores filmes feitos na Bahia. A surpresa vem da inexistência de editais consistentes nos últimos três anos no estado. Há uma “fome de fazer cinema” que não pode ser menosprezada. Assim, teremos pela primeira vez dois longas locais na competição nacional, além de oito longas e dezesseis curtas na competição Bahia. Como disse um amigo, é uma “invasão baiana” no Panorama desse ano.

O salto na qualidade do nosso cinema pode ser verificado, ainda, no PanLAB, a oficina de roteiros que o Panorama oferece a cada nova edição. Nunca foi tão complicado selecionar projetos, entre os 32 inscritos. Os roteiros estão mais corajosos e com personalidade. Nos próximos anos, muitos novos filmes irão surpreender!

Quantos aos clássicos, nessa edição teremos filmes restaurados e que serão projetados em DCP, 2K. Mas, teremos também projeções em 35mm. É preciso voltar a ouvir o som do projetor e não perder de vista a textura da película. Cinema como antes. Nada de Netflix e de baixar filme pela internet. Por alguns dias, basta de ver e ouvir em condições precárias e muito distantes das criadas pelos cineastas.

Não custa lembrar que ir ao cinema, sobretudo aos de rua, é um ato político. De carinho e cuidado com as nossas cidades. O lema do Panorama “O Cinema no Centro” nunca nos pareceu tão importante. Fica aqui o apelo: não abandonemos os espaços públicos. Vamos ocupá-los!

Por fim, queremos ressaltar a importância de exibir quatro longas de Hector Babenco, argentino que construiu sua carreira no Brasil. São quatro películas: Lúcio Flávio – O Passageiro da Agonia (1978), Pixote – A Lei do Mais Fraco (1981), O Beijo da Mulher Aranha (1985) e Coração Iluminado (1998). No Panorama, teremos um pouco da obra desse cineasta incrível. São filmes que falam muito do nosso pais e que necessitam serem revistos, sobretudo nesse momento de forte perplexidade que o pais atravessa.

Aos nossos amigos, patrocinadores (sobretudo Petrobras e Governo do Estado da Bahia) e apoiadores, agradecemos de coração.

Um grande Panorama para todos!

Cláudio Marques e Marília Hughes

Panorama 2016:

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