Competição de curtas e longas baianos, nacionais e internacionais

Homenagem 100 anos de walter silveira

Argila

de Werner Schroeter

Alemanha, 36', Cor/P&B, Digital, 1968

Sessões

29/10 Quinta-feira 15h
SALA WALTER DA SILVEIRA

Essa obra experimental de Werner Schroeter faz parte de seus primeiros trabalhos e foi criada em forma de projeção dupla. O filme utilizado como base exibe um homem e três mulheres, duas interagem diretamente com ele, a terceira comenta os acontecimentos. O filme é projetado uma vez em cópia muda em preto e branco e uma colorida e sonorizada na outra metade da tela. A cópia em preto e branco começa um minuto mais cedo, com esse adiantamento, a cor e o som tornam-se uma lembrança complementar das imagens já vistas.

A Morte de Maria Malibran (Der Tod der Maria Malibran)

de Werner Schroeter

Alemanha, 110', Cor, Digital, 1971

Sessões

03/11 Terça-feira 14h55
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - GLAUBER ROCHA - SALA 3

A meio-soprano Maria Malibran, cujas voz e beleza conquistaram os corações de Rossini e Bellini, faleceu em 1836 com 26 anos em decorrência de uma queda do cavalo. O filme não pretende ser biográfico, mas destina-se ao seu mito e seu misticismo, apresentando Magdalena Montezuma e Candy Darling nos papéis principais. Uma obra sobre “a voz como extensão da vida, como veículo de libertação e de morte”. Para Michel Foucault: “O que Schroeter faz com um rosto, com a maçã do rosto, os lábios, a expressão dos olhos, é um multiplicar e um florescer do corpo, uma exultação. Não é um filme sobre o amor, mas um filme sobre a paixão”.

Eika Katappa

de Werner Schroeter

Alemanha, 138', Cor, Digital, 1969

Sessões

29/10 Quinta-feira 17h
SALA WALTER DA SILVEIRA

Primeiro longa-metragem de Schroeter, que o definiu assim: “Uma coleção de associações de imagens e sons do mundo em que vivo”. O filme ilustra a paixão de Schroeter pela música, da ópera ao pop, e as peças musicais que ouvimos são “ilustradas” por “cenas” extremamente livres e sem relação específica entre elas. O vínculo é criado inicialmente na cabeça do público. Exibido em 1970, na Quinzaine des realisateurs do Festival de Cannes.

Piloto de Bombardeio (Der Bomberpilot)

de Werner Schroeter

Alemanha, 65', Cor, Digital, 1970

Sessões

30/10 Sexta-feira 17h
SALA WALTER DA SILVEIRA

Neste filme, pela primeira vez Schroeter aborda o passado nazista da Alemanha, sem se afastar, no entanto, da sua maneira habitual de trabalhar. Este passado é evocado através das figuras de três personagens femininas fictícias, que tinham atuado em espetáculos de palco durante o período nazi. Segundo Michel Legrand, através destas três figuras Schroeter transmite a desordem e a repressão mental que levaram a lembrança das atrocidades nazistas a ser atenuada na memória coletiva alemã. Mais uma vez, a música, está no cerne do cinema de Schroeter.

Willow Springs

de Werner Schroeter

Alemanha, 78', Cor, Digital, 1973

Sessões

02/11 Segunda-feira 15h
SALA WALTER DA SILVEIRA

Uma das obras mais complexas e radicais do cinema moderno, marcando uma espécie de transição entre aquilo a que se chamou um método de “colagem” de que “Eika Katappa” é o exemplo maior e o realismo agônico de “O Rei das Rosas”. Conta a “história” da relação entre três mulheres que vivem isoladas no deserto. O ponto de partida para o filme, segundo Schroeter, foi a morte de Marilyn Monroe.

O Anjo Negro (Der Schwarze Engel)

de Werner Schroeter

Alemanha, 71', Cor, Digital, 1973-74

Sessões

03/11 Terça-feira 15h
SALA WALTER DA SILVEIRA

Schroeter funde dois aspectos do seu cinema, a fantasia puramente pessoal, com as suas mitologias, e o ensaio cinematográfico feito em terras longínquas. Duas mulheres, uma de Boston e a outra de Berlim, fogem do vazio das suas vidas e, em uma aventura mexicana, vão em busca da realização pessoal nas ruínas dos Deuses Incas. Schroeter contrapõe esta situação, que tem alguma semelhança com a de “Willow Springs” e na qual o fascínio das protagonistas com o México é forçosamente superficial, a elementos documentais e à percepção que os nativos têm da sua cultura.

Os Flocos de Ouro (Goldflocken)

de Werner Schroeter

Alemanha/França, 166', Cor, Digital, 1976

Sessões

03/11 Terça-feira 17h
SALA WALTER DA SILVEIRA

Ambientado em uma Cuba inventada (rodado, de fato, na França, na região do Ruhr e na Baviera) e falado em vários idiomas, o filme encerra a primeira fase da obra de Schroeter – segundo diversos testemunhos, era o seu preferido – sendo a conclusão lógica do imaginário baseado sobre a relação da imagem com a música. Aqui, Schroeter reúne no mesmo filme diversos elementos que surgem separadamente em sua filmografia. No decorrer de “Os Flocos de Ouro”, seguimos quatro histórias de obsessão erótica, cada qual num tom diferente. Esta foi a primeira colaboração de Schroeter com Bulle Ogier, a quem o filme é dedicado. A atriz comentaria esse filme mais tarde: ‘As sequências em preto e branco são a coisa mais bela que já fiz no cinema. Werner conseguiu captar a fragilidade, a transparência delicada dentro de mim. Assim como com Andréa Ferréol, que nunca esteve mais sexy e mais renoir em um filme”.

O Dia dos Idiotas (Tag der Idioten)

de Werner Schroeter

Alemanha, 107', Cor, Digital, 1982

Sessões

04/11 Quarta-feira 15h
SALA WALTER DA SILVEIRA

O que se passa na cabeça da bela Carol Schneider? Ela não se encaixa na vida normal. Tenta escapar com todos os recursos: grita, chora, xinga e implora pela atenção de seu apático amante Alexander. "Matem-me!" ela grita para o nada. O seu comportamento a leva à internação em um manicômio. Aqui ela quer ficar para sempre, apesar de continuar isolada. Pierre Guislain observou à época que “este mundo onde reinam forças negativas é um pouco a ópera italiana oposta à ópera alemã, o romantismo contra o classicismo, numa afirmação trágica do que já se perdeu”.

O Concílio de Amor (Das Liebeskonzil)

de Werner Schroeter

Alemanha, 96', Cor, Digital, 1981

Sessões

04/11 Quarta-feira 17h
SALA WALTER DA SILVEIRA

O ponto de partida do filme foi a peça DAS LIEBESKONZIL (1895), de Oskar Panizza, situada durante um surto de sífilis no século XV, que o autor apresenta ironicamente como uma punição divina. A peça causou escândalo e Panizza foi preso por obscenidade. No filme, Schroeter alterna trechos da peça com uma encenação do processo, conciliando a sua habitual mise en scène por quadros vivos com os temas políticos que se tornavam cada vez mais presentes no seu trabalho neste período. O fato do filme ter sido feito quando surgia a pandemia da AIDS acentua, sem dúvida, esta dimensão política. Prêmio de melhor filme da crítica na Mostra Internacional de Cinema de SP em 1983.

Sobre a Argentina (De L'Argentine)

de Werner Schroeter

França/Argentina, 94', Cor, Digital, 1986

Sessões

02/11 Segunda-feira 14h55
ESPAÇO ITAÚ DE CINEMA - GLAUBER ROCHA - SALA 3

Documentário sobre os pavores e a tortura da ditadura militar argentina. Werner Schroeter compara as informações oficiais publicadas pelo regime militar aos depoimentos de vítimas, dissidentes e as famílias dos “desaparecidos”. A partir da intimidade com os entrevistados, através de sua mímica e suas palavras, o filme transmite o pavor da violência.